O Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS) oferece ensino, pesquisa e atendimento especializado gratuito em Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Pediatria na Região Norte.
O Atlas Brasileiro Online de Doenças Raras é um serviço da Rede Nacional de Doenças Raras. Ele foi criado para disseminar informações sobre epidemiologia, quadro clínico, recursos diagnósticos e terapêuticos usados, e custos relacionados a doenças raras de origem genética e não genética no Brasil.
As doenças raras podem ser definidas como aquelas que afetam até 65 pessoas em cada 100 mil, ou seja, 1,3 pessoas para cada 2.000 indivíduos. No Brasil, estima-se que cerca de treze milhões de pessoas possuem alguma doença rara.
Após coletar, armazenar, processar e analisar os dados provenientes do projeto Rede Nacional de Doenças Raras, produzimos e publicamos estudos científicos para revistas e conferências científicas nacionais e internacionais.
Portanto, bem-vindo(a) a nossa lista de publicações. Essas publicações científicas representam um esforço contínuo para o entendimento e a explicação de fenômenos na área das doenças raras.
Esses esforços visam fornecer subsídios úteis e relevantes para a tomada de decisão baseadas em evidências no campo das doenças raras. Corroborando assim para o cumprimento dos objetivos gerais e específicos deste projeto.
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E MOLECULAR DE PACIENTES COM ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL 5q EM UM SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM DOENÇAS RARAS NA REGIÃO NORTE DO BRASIL
LAURENT KETLEN LEÃO VIANA, Luiz Carlos Santana da Silva
A Atrofia Muscular Espinhal é um grupo de neuropatias periféricas motoras raras e de origem genética e com padrão de herança autossômico, caracterizada pela degeneração dos neurônios motores na medula espinhal e tronco encefálico. Os tipos 1, 2, 3 e 4 de AME 5q possuem variabilidade clínica e configuram as formas clássicas da doença. O distúrbio é causado por variantes patogênicas no gene SMN1 e SMN2, responsáveis pela síntese da Proteína de Sobrevivência do Neurônio Motor (SMN). O objetivo geral do presente estudo é escrever o perfil molecular de pacientes com diagnóstico molecular estabelecido para os tipos de AME 5q atendidos no Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS). Esta é uma pesquisa descritiva de caráter retrospectivo e transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 72014123.8.0000.0018), realizada no período de outubro a dezembro de 2023 através da revisão de prontuários clínicos de pacientes com AME 5q atendidos no Ambulatório de Neurogenética do HUBFS. Dentre os pacientes acompanhados, 19 atenderam aos critérios do estudo. Destes, 5 (26,3%) foram classificados com tipo 1, 10 (52,6%) com tipo 2 e 4 (21%) com tipo 3, não sendo registrado nenhum paciente com tipo 4. Em relação aos aspectos demográficos, a maioria dos pacientes pertencia ao sexo feminino 57,9% (11/19) em comparação ao sexo masculino 42,1% (8/19). Entre as 13 Regionais de Saúde do Estado do Pará, a 1ª Regional apresentou maior prevalência de AME 5q de acordo com o município de origem de cada paciente. A intervalo médio entre o início dos sintomas até o diagnóstico molecular foi de 4 meses para o tipo 1 e 4 anos e 8 meses e 4 anos e 5 meses para os tipos 2 e 3, respectivamente. Em relação aos aspectos moleculares, a deleção em homozigose no éxon 7 do gene SMN1 foi encontrada em todos os 19 pacientes. Apenas um paciente possuía um alelo não deletado no éxon 8 do SMN1, enquanto os demais apresentaram deleção em homozigose no mesmo éxon. A quantificação do número de cópias de SMN2 foi realizada em todos os pacientes. Os cinco com AME tipo 1 apresentaram 2 cópias de SMN2, já os dez pacientes com tipo 2 possuíam 3 cópias, enquanto os quatro pacientes com tipo 3 carregavam 3 ou 4 cópias (3/4 e 1/4, respectivamente). A variação no número de cópias do gene apresentou correlação inversa com a gravidade do fenótipo em todos os pacientes com deleção em homozigose, corroborando com a literatura mundial. Este estudo expõe uma epidemiologia inédita sobre AME 5q no estado do Pará e na Região Norte do Brasil, contribuindo com os primeiros dados demográficos e moleculares desta população. É necessário diminuir o tempo de espera do diagnóstico e o acesso desses pacientes a serviços especializados, visando minimizar as complicações clínicas, adequar o manejo terapêutico e promover uma melhor qualidade de vida. Divergente à literatura brasileira, foi identificado um padrão inversamente proporcional no número de cópias de SMN2 com o perfil clínico de todos os pacientes. Os aspectos moleculares retratados são de grande importância para essa população, considerando que as duas terapias inclusas no PCDT para AME 5q modulam a expressão do gene SMN2. A partir deste conhecimento, os pacientes podem ser beneficiados com um planejamento terapêutico especializado.
Rede nAcional de Doenças raRAS (RARAS): uma panorama geral sobre Doenças Raras no Brasil
Mariana Lopes Dos Santos, Júlia Cordeiro Milke, Lorenzo Longo Makariewicz, Amanda Maria Schmidt, Victória Machado Scheibe, Milena Artifon, Bibiana Mello de Oliveira, Têmis Maria Félix
Introdução: No Brasil, o Ministério da Saúde define doença rara (DR) usando o critério da Organização Mundial de Saúde, ou seja, 1,3 a cada 2000 indivíduos ou 65 a cada 100.000 indivíduos. A Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras (PNAIPDR), instituída em 2014 no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), tem como objetivo de contribuir para a redução da morbimortalidade e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, por meio de ações de promoção, prevenção, detecção precoce, tratamento oportuno, redução de incapacidade e cuidados paliativos. Entretanto, os dados epidemiológicos são escassos e quando disponíveis, eles se restringem a doenças específicas. Objetivos: Constituir uma rede de representatividade nacional com os centros que atendem indivíduos com DR, realizar um inquérito acerca da epidemiologia, quadro clínico, recursos diagnósticos e terapêuticos empregados e custos em indivíduos com doenças raras de origem genética e não genética no Brasil. Métodos: Estudo de censo populacional com coleta de dados públicos do DATASUS ambispectivos (retrospectivos e prospectivos) utilizando um protocolo padrão com dados sociodemográficos, aspectos clínicos e diagnósticos, acoplados a uma proposta de inovação, a criação de uma rede de serviços envolvendo Hospitais Universitários (HUs), Serviços de Referência em Triagem Neonatal (SRTNs) e Serviços de Referência em Doenças Raras (SRDRs) em todo o território nacional. Observações: A Rede RARAS foi estabelecida contando com 17 SRDRs, 18 HUs e 5 SRTNs distribuídos em todas as regiões do Brasil. Um protocolo padrão de coleta de dados foi elaborado. Estudo piloto com 4 instituições foi realizado em janeiro de 2021 e os dados validados. Coleta de dados retrospectivos de casos atendidos nos centros em 2018-2019 está em andamento. Até o momento cerca de 3000 casos foram incluídos. Considerações: O estudo epidemiológico poderá impactar na política de saúde de Doenças Raras permitindo ampliação do acesso à informação, melhor alocação de recursos, melhora na qualidade de vida dos pacientes e na organização de serviços especializados para o atendimento de indivíduos com DR no Brasil.
Perfil Do Diagnóstico Clínico E Laboratorial De Doenças Genéticas Raras No Estado Do Pará
FELIPE GOUVEA DE SOUZA, RAFAELA SILVA DE SOUSA, LUIZ ARTHUR DOS ANJOS ALMEIDA COSTA, KETHLEEN PAULA MONTEIRO RODRIGUES , JOSÉ LUCAS GOMES OLIVEIRA, MISLENE CISZ, ISABEL CRISTINA NEVES DE SOUZA , ROBERTO GIUGLIANI, MICHELE AMARAL DA SILVEIRA, LUIZ CARLOS SANTANA DA SILVA
Introdução: As doenças raras se caracterizam pela diversidade de sinais e sintomas que variam, não apenas entre as diferentes doenças, mas também entre os pacientes acometidos pela mesma patologia. As doenças raras afetam de 65 a cada 100.000 indivíduos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo 80% destas causadas por fatores genéticos e por fatores ambientais, infecciosos, imunológicos, entre outros. Os Erros Inatos do Metabolismo (EIM) são um grupo de doenças genéticas raras determinadas pela deficiência de alguma via metabólica e pela deficiência de uma enzima/proteína que está envolvida na síntese, transporte ou degradação de moléculas. Os EIM apresentam mais de 1000 doenças e, apesar de que cada transtorno isoladamente seja raro, com incidência entre 1:10000 nascidos vivos, como grupo eles são transtornos comuns, com uma incidência de 1:2000, ocorrendo em sua maioria na infância de grande gravidade na fase neonatal. Neste sentido, a caracterização do perfil epidemiológico das doenças genéticas raras no Brasil tem sido um desafio, uma vez que a maioria dos serviços públicos relacionados à área da genética médica se localiza nas capitais dos Estados, concentrando-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil e, geralmente, integrados com universidades públicas e hospitais de ensino. Objetivos: Descrever o perfil das doenças genéticas raras no Estado do Pará, com destaque para os EIM. Metodologia: Estudo transversal descritivo cujo público alvo são pacientes nascidos no Estado do Pará que receberam, no período de janeiro de 2001 até novembro de 2021, diagnóstico clínico/ laboratorial de EIM através do Laboratório de Erros Inatos do Metabolismo da Universidade Federal do Pará em parceria com o Serviço de Genética Medica do Hospital de Clinicas de Porto Alegre. Os dados obtidos a partir das fichas e laudos dos pacientes foram tabulados por meio do programa Microsoft Office Excel 2013 para a construção de tabelas e gráficos para posterior análise estatística descritiva. Resultados: Foram registrados um total de 28 doenças genéticas raras, divididas em Doenças de depósito lisossomal (DDL), Acidemias Orgânicas (AO), Ataxias Espinocerebelares (AE), Doenças peroxissomais, Glicogenoses e defeitos na biossíntese do colesterol, totalizando 129 pacientes com diagnóstico definitivo. Conclusão: É possível concluir que o Estado do Pará apresenta um perfil diversificado de doenças genéticas raras, com uma sintomatologia e diagnóstico laboratorial de acordo com o registrado na literatura acerca do tema.
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